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Um conto de natal – Natal 2019

Era fim de tarde do dia 23 de dezembro, e o pôr do sol estava belo, com nuvens coloridas e um céu majestoso. Maria estava finalmente entrando de recesso no trabalho. Ela trabalha num prédio alto e bonito que fica na Avenida Paulista. Mas não se engane não, ela não tem um cargo chique, na verdade, é apenas uma, das várias, estagiárias de lá. Apesar da falta de reconhecimento do seu trabalho na empresa de criação de conteúdo, Maria se sentia útil, sentia que estava aos poucos chegando onde sempre quis. Seu sonho era ser uma animadora que emocionasse as pessoas. Desde pequena ela sempre gostou de contar histórias e desenhar no papel para fazer as figuras se movimentarem com o rápido folhear das páginas.

Faltavam 2 dias para o natal e como todo ano, Maria já havia comprado as passagens na rodoviária para ir para o interior de São Paulo. Eram 6 horas até a sua cidade natal, mas valeria a pena! Finalmente poderia reencontrar a família, passear entre as plantações e acariciar os cavalos. Ela mal podia conter a animação.

Depois de sobreviver ao transporte público, Maria entrou em casa só pra pegar suas malas e finalmente poder ir para os braços de sua família! Aquele prédio bem antigo na região do Paraíso (ela nunca soube como conseguiu aquele apartamento a uma distância razoável do trabalho) era muito bom, mas não era seu lar. Com apenas uma mochila e uma mala de rodinhas, Maria saiu de casa radiante como as nuvens que refletiam o pôr do sol. Entrou no metrô e a cada estação que passava mais a sua alegria ia crescendo dentro dela. Quando finalmente chegou à estação Portuguesa-Tietê um sorriso escapou pelas laterais de seus lábios. “Finalmente! Só mais um pouco e já vou estar em casa de novo!”. Ela desceu até a plataforma de embarque e sentou-se encostada na parede para esperar a hora de entrar no ônibus. Como de costume, tirou seu caderninho e estojo da mochila e começou a rabiscar algumas coisas.

“Meu Deus! Sinto muito por isso moça, minha filha não fez por mal!”. O chão e a mochila de Maria estavam ensopados. Mas ela tranquilizou a mãe e a menininha com o copo vazio de refrigerante. “Não se preocupa não, já tô tão acostumada com as chuvas de São Paulo que eu só compro mochilas impermeáveis. Então tá tudo bem! Como você tá mocinha? Se machucou? Foi um tombo e tanto hein?”. A garotinha de vestido florido ficou sem graça e se escondeu atrás da mãe. Enquanto a senhora convencia sua filha a se desculpar com Maria, a porta para embarque se abriu. Então a própria Maria foi até a criança, bem devagarinho pra não assustá-la e bagunçou os cabelos dela como uma forma de mostrar que estava tudo bem.

Como a viagem seria longa, Maria tirou seu travesseiro em “U” para dormir.

O ônibus partiu.

O ônibus parou para seu intervalo rotineiro. Muitas pessoas desceram. Maria continuou a dormir.

Poucas horas se passaram e uma forte chuva começou a cair.

O ônibus fez outra parada. Algumas pessoas desceram. Maria continuou dormindo.

A chuva continuava a cair forte naquela madrugada.

Novamente o ônibus fez uma parada. A menininha de vestido florido pediu para sair do ônibus, sua mãe não queria, entretanto não conseguiu conter a filha e as duas saíram. Por algum motivo Maria acordou. Ela decidiu, então, que iria comer alguma coisa. Como de costume, colocou sua mochila nas costas e saiu. Ela não gostava de deixar suas coisas sozinhas. Nunca se sabe.

Dentro do ponto de parada, Maria pediu apenas um chocolate quente. Ela só pensava em voltar a dormir. Depois de ter tomado todo o chocolate, foi até o caixa para pagar, mas viu algo que não queria ter visto. A garotinha do vestido florido estava lá fora na chuva e perigosamente perto do rio! “O que ela está fazendo?!”. E então Maria percebeu que um filhote de gatinho estava na lá também, quase sendo levado. Maria nem pegou seu troco, saiu correndo para pegar a garotinha.

“Menina! Volta aqui, aí é muito perigoso!” Gritava Maria enquanto ia em direção daquela criança ensopada. Quando faltava apenas um passo para alcançá-la a garotinha caiu no rio com o gatinho em seus braços. Maria não pensou duas vezes e pulou para dentro do rio também. A correnteza estava muito forte, mas depois de algumas tentativas, Maria finalmente conseguiu alcançar a menina e trazê-la para a margem. E depois carregá-la para dentro de uma pequena caverna.

“Você está bem? Se machucou?”

“Tô sim tia… Desculpa…”

“Aiaiai… Você não sabe como é perigoso ficar perto de rio em chuva desse tipo?”

“Eu pensei que eu conseguia salvar ele sozinho…”

O gato estava se lambendo no colo da menininha.

Maria abriu sua mochila e tirou de lá sua toalha. “Ainda bem que essa toalha não coube na mala”, pensou ela. Depois de ambas estarem secas, Maria pegou o celular para chamar um resgate, mas como ele estava no bolso, ficou ensopado e sem utilidade. Ela olhou dentro da mochila e a única coisa “útil” que encontrou foi uma lanterna. “Melhor que nada, não é mesmo?”. Ela ligou a lanterna e iluminou aquele pequeno espaço. A menininha parecia assustada… Ela acariciava o gatinho, mas seus olhos estavam longe. Maria, então, teve uma ideia.

“Quer o ver o que eu estava fazendo quando a gente se encontrou pela primeira vez?”. Os olhos dela se voltaram para Maria com um pouco mais de brilho. A pequena garotinha se sentou mais perto para ver o que tinha naquele pequeno caderno. Maria ia e voltava com aquelas duas páginas, e a mocinha se encantou com os movimentos daquele desenho.

“Quem é esse bebê?”, ela perguntou. “Você não sabe? É o aniversariante do natal! Você já ouviu a história do menino que nasceu no meio dos animais?”. Maria então contou a ela história do nascimento de Jesus. Aos poucos as duas foram pegando no sono.

“Yasmin! Cadê você minha filha?”, “Yasmin!”, “Alguém por aí?”. As duas acordaram assustadas e saíram correndo para fora da caverna.

“Minha filha! Onde você esteve esse tempo todo? O que aconteceu que você sumiu de repente?”

Já estava amanhecendo quando todos voltaram para o ônibus. Yasmin abraçou Maria. “Obrigada por contar a história do natal, tia!”, ela entrou no ônibus mais feliz dessa vez, Jesus havia nascido dentro do coração dela. Maria se espreguiçou e subiu ônibus adentro também. Quando ela estava ao lado da sua poltrona quando percebeu que a sua mochila estava fazendo um barulho estranho. O gatinho! Ele tinha se escondido na mochila que estava seca e quentinha. Maria cogitou em soltá-lo perto da mata, mas percebeu que ela já havia sido adotada por esse gato. Então o escondeu de novo na mochila para que ninguém o tirasse dela e se sentou com a mochila no colo. Finalmente pôde dormir de novo.

Quando Maria abriu os olhos, já estava em sua cidade natal. Ela desceu do ônibus, pegou sua mala. “Nada de Yasmin por perto, ela deve ter descido em algum ponto enquanto eu dormia” E se sentou nos bancos da roviária para esperar pelo pai que viria buscá-la. Enquanto ele não vinha, ficou olhando para seu novo companheiro.

“Joy (alegria), é assim que eu vou te chamar.”

Sobre Dory <3

Oi! Eu sou a Dory :) eu amo escrever e por isso criei um blog há uns anos atrás. Um resumo: sou cristã, estudante de Letras, pseudo piadista e humana

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