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AWAM Cap 4

E aquelas foram as últimas palavras escritas no caderno que Letícia encontrou no sótão da sua avó. O que seria aquilo? Ela acariciava o objeto com suas pequenas mãos. Amava novidades, coisas novas a animavam. E foi quando seus devaneios foram interrompidos por um grito histérico de seu irmão mais novo, Alan. Com o coração acelerado correu desesperada escada a baixo, cada pulsar de sangue, uma ofegada.

 – Não acredito que conseguiram me matar faltando só isso de vida pra vencer esse goblin! Ah, não… Me recuso a acreditar! – disse o garoto com os olhos frustrados e as bochechas infladas de raiva.

– Menino! Que susto, pensei que tinha acontecido alguma coisa… – Suspirou aliviada a irmã mais velha. – É aquele monstro da Dungeon Escarlate IV?

– É! Meu, é impossível ganhar dele. Eu morro sempre faltando metade da vida dele…

– Eu já passei daí faz tempo… – A menina revira os olhos em provocação.

Eles tinham uma relação engraçada, gostavam de se desafiar. Naquela primeira tarde na casa da avó, o calor abafado os fazia suar e ficar com as juntas grudentas.

– Se você é tão boa assim no DE IV eu te desafio pra uma corrida no Kart Komic! Quem ganhar lava a louça pro outro. – Desafiou o menino com olhos desafiadores.

– Puff, isso é um desafio? Já prepara as suas luvas de borracha porque vai ter que lavar a minha louça DUAS vezes! – A menina aumentou a aposta.

Os irmãos ficaram até o pôr-do-sol jogando, só foram interrompidos quando a “Vó Hortência” os chamou lá do quintal. Quando a Vó chama, não tem desculpa pra não ir. Obedecer seu chamado ao jardim é LEI! Pois ela sempre contava alguma história legal sobre as flores e árvores que estavam plantadas no seu terreno, tinha até mesmo um canteiro para cada um, cada qual com a sua flor. Vovó dizia que Letícia era uma margarida e Alan uma prótea, ela os plantou quando nasceram. Correndo pelos corredores da casa, rapidamente os irmãos chegaram ao jardim onde sua avó estava sentada no banco de madeira ao lado de sua bengala dourada (que Alan gostava muito). Sentando ao lado da velha mulher, Letícia se acomodou do lado esquerdo e Alan no direito, apoiando suas muletas ao lado da bengala de sua avó.

– Correram como o vento hein brotinhos, se não conhecesse muito bem vocês dois ficaria abismada! – Disse a Vó Hortência com a voz um pouco trêmula pela idade. – Mas isso é bom! Se não vocês perderiam a beleza do céu de hoje, percebem como o Sol bate em cada um dos canteiros? Apesar de ser o mesmo Sol, cada flor recebe o brilho de uma maneira diferente…

Animados com o comentário da senhora, as crianças se apressaram a se aproximar de seus canteiros para ver melhor como eram as sombras e cores que suas flores pintavam naquele fim de tarde. Letícia ficou apaixonada pelo amarelado que manchava as pétalas brancas de suas margaridas. Já Alan ficou iluminado ao perceber as sombras que suas próteas projetavam…

– Eu sempre achei que as melhores horas para se estar no jardim são o nascer do dia e o pôr-do-sol… Eles podia durar um pouco mais, vocês não acham? – Foram as últimas palavras de Vó Hortência antes do sol partir por inteiro naquele dia.

– Sim! Eu também acho vó, queria que o dia inteiro fosse pôr-do-sol! – Concordou a menina-margarida.

– Claro que não, você tá louca? Devia ser nascer do dia, o dia todo! Você não acha vó?! – Questionou o jovem.

– Hahaha, não sei, eu prefiro que não seja sempre uma coisa ou outra, porque as estrelas são muito bonitas, gosto muito desse céu também. Sinto saudade de um céu estrelado em especial… foi o céu mais bonito que já vi na minha vida, mas nunca mais eu o vou encontrar…

– POR QUE?! – perguntaram os pequenos em uníssono.

– Porque ele não faz mais parte do meu mundo… Mas isso é história para outro dia! Está esfriando não é mesmo? – Logo depois de terminar de falar, a avó recebeu um abraço caloroso de seus netos.

Enquanto esquentava sua avó, Letícia percebeu um relevo diferente no pescoço dela. Mas como estava escuro não teve como olhar melhor o que era. Mas só de encostar suas bochechas, chutou ser uma cicatriz, mas uma cicatriz bem esquisita.

– Hora da janta! Crianças, venham pra casa, já está pronta a comida! – Gritava a mãe dos irmãos. Com muita fome, as crianças correram de volta à casa.

E enquanto se ajeitava para levantar, vó Hortência olhou para o céu levemente nublado daquele início de noite.

– Como será que está o céu de BALOON agora? Queria poder vê-lo pelo menos mais uma vez…- E foi de passo em passo com sua bengala em direção à casa.

 

CONTINUA…

 

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Sobre Dory <3

Eu me denomino como Dory, uma pequena menina que é super mega atrapalhada e se distrai facilmente. MAS que o coração anseia por fazer amigos e o que é certo (ou pelo menos tentar). Sou cristã, estudante de Letras, pseudo piadista e humana.

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